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Morte em tribo isolada reabre debate sobre papel dos missionários


Morte em tribo isolada reabre debate sobre papel dos missionários

“Vocês podem pensar que sou louco por fazer isso…, mas acho que vale a pena anunciar Jesus a essas pessoas”. Estas foram algumas das últimas palavras da carta deixada pelo missionário norte-americano John Allen Chau a seus pais antes de ele sair para a viagem às Ilhas Sentinela na Índia, que acabaria lhe custando a vida.

O jovem de 26 anos trabalhava com a missão All Nations, e dizia que seu objetivo era levar o evangelho à tribo isolada, que chamava de “a última fortaleza de Satanás”.

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Mary Ho, líder da All Nations, descreveu Chau como um “jovem muito focado” e diz que ele   começou a pesquisar diferentes etnias sem presença cristã. Formado em linguística e com treinamento em missiologia, entendeu que seu chamado era alcançar o povo ‘sentinela’, nome derivado do nome da ilha Sentinela do Norte, na costa da Índia. Contudo, a missão não sabe porque ele decidiu agir sozinho no contato que fez com a tribo este ano.

O fato de ele ter morrido flechado, empunhando uma Bíblia é significativo para o meio evangélico. Mártir moderno para uns, louco para outros.

A maneira como a grande mídia abordou a história, colocando-o como alguém que violava o “santuário” de uma tribo sem contato com o restante do mundo, colaborou para a chuva de críticas e julgamentos, evidenciado pelos comentários em redes sociais. Um dos principais argumentos é que o contato era proibido pelo governo da Índia e que ele “quebrou a lei”.

Sua tentativa de evangelização de um povo não alcançado colocou em foco as centenas de milhares de cristãos ao redor do mundo que tentam tornar Jesus conhecido. A julgar pelo orçamento da imensa maioria das igrejas, a Grande Comissão – Ide e pregai o evangelho à toda criatura – não é prioridade. Não há projetos conhecidos para alcançar os sentinelas, por exemplo.

Missionária comenta

A missionária Bráulia Ribeiro, da JOCUM, escreveu uma longa meditação sobre o caso de Chau, comparando-o com sua própria experiência de entrar em uma tribo não alcançada.

“Muitos artigos foram escritos elogiando a sua entrega, mas também, infelizmente, condenando o pobre rapaz, afirmando que ele mereceu a morte cruel que sofreu… Se você é um dos que expressou desprezo pelo método missionário de Chau, também não vai gerar nada de positivo com seus comentários e preconceitos, lamento”, assegurou.

“Eu fiz exatamente a mesma coisa que ele quando tinha 21 anos, quando entrei ilegalmente em uma reserva indígena proibida para fazer amizade com um grupo de índios isolados. Tive a sorte de ser aceita por eles… estabelecendo uma relação de amor e respeito mútuo que durou 22 anos”, testemunha.

Para Ribeiro, que é pesquisadora na área de etnolinguística e antropologia cultural, “nenhum governo tem o direito de tornar ilegal o relacionamento/comunicação entre grupos humanos” e que os Suruwahá “tiveram sorte de não terem me matado. Através de mim e dos outros que me sucederam na missão, a tribo pôde preservar muito de seu estilo de vida autônomo, respeito próprio e integridade física, e também construir uma ponte necessária com o mundo exterior. Graças à esta ponte muitas crianças foram salvas”.

Ela destaca que após sua missão ter sido expulsa daquela aldeia, em 2009, “o grupo [indígena] foi novamente reduzido a uma mera vítima da política de isolamento”. A missionária destacou ainda que existem considerações necessárias.

“Os governos seculares são melhores em cuidar de grupos isolados do que missionários? Estatisticamente e historicamente, não. O número de mortos é muito maior no contato secular governamental do que qualquer outro, pelo menos no Brasil… Muitos estudos provam que a endogamia, práticas culturais cruéis como infanticídio e suicídio ritual, vírus que se espalham pelos contatos externos esporádicas, tudo contribui para a aniquilação de tribos em isolamento”.

A missionária diz que as pessoas não deveriam julgar John Chau. “Se ele agiu pela pureza de seu coração e seu amor por Deus e sua Palavra, ele está com Jesus agora. Essa é a fé que professo. Ele sabia o risco que corria. Eu sabia, e estava disposta a dar minha vida por eles. Tudo o que podemos fazer é orar por sua família e orar pela tribo que permanece isolada”, destacou.




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